sexta-feira, fevereiro 22

URBANOSEMCAUSA. Urbano sem causa? Não. Urbanos em causa!




                Nesta prolongada estada carioca, tenho convivido com pessoas interessantíssimas. Poetas, escritores, autores teatrais, cantores, enfim, amantes da palavra escrita, falada ou cantada. Gente como Flávia Côrtes, Márcia Mendes, Marisa Vieira, Maria do Carmo Bonfim,Vânia Moraes, Eduardo Tornaghi, Manoel Herculano, Márcio Rufino, Naldo Velho, Mozart Carvalho, Sérgio Gerônimo e tantos outros. Também tenho participado de saraus, tenho ido ao teatro, ao cinema e, acima de tudo tenho andado pela maravilhosa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e a olhado, com visão mais contemplativa. Vivências gratificantes e necessárias, para quem em breve, vai “virar uma página da vida”, aposentando-se do serviço público, e que pretende dedicar-se exclusivamente à comunicação- minha origem (na juventude, fui locutor de rádio), e à literatura.
                

No sábado passado, pela primeira vez entrei no Museu de Arte Contemporânea, de Niterói/RJ. Há tempos, eu queria entrar nele. Só o conhecia por fora e ficava encantado com a sinuosidade das linhas de Niemayer, deliberadamente compondo com as suaves curvas dos morros do Rio de Janeiro.
                




Lucília Dowslley

      
 E, nada melhor do que unir o útil ao agradável. Minha presença no MAC foi para prestigiar e participar do programa “Um Brinde à Poesia”, idealizado pela poeta maior, Lucília Dowslley, que o conduz com simplicidade e competência. É um sarau realizado de 15 em 15 dias, aos sábados, no MAC. Programa que também é realizado, noutros dias, em outros espaços do Rio de Janeiro.
               



    

                 A programação foi extensa e diversificada. Li a crônica “Uma Procissão ‘Duca’”, do meu livro “Causos Amazônicos” e, penso, a leitura agradou ao público, que gargalhou em diversos momentos, tendo entrado portanto, no clima hilário da maioria de minhas crônicas. No final, a poeta paraense Vânia Moraes, radicada do Rio de Janeiro, me cumprimentou e disse que retornou a Belém, ao ouvir a expressão “Égua, parente!”, na entonação precisa, dita pelo "papudinho profissional",  HG, personagem da crônica.



                Diversos poetas, homens e mulheres das mais diversas idades, sucederam-se ao microfone. Todos, sem exceção, “disseram a que vieram”, ou, mais precisamente, disseram o que foram fazer, naquele evento de Poesia, que também é permeado por música de qualidade. Ausência sentida foi a da poeta paraense, Wanda Monteiro que, por motivos familiares, não pode comparecer, naquele sábado, ao Brinde à Poesia. Mas já falei com ela, por telefone e, antes do meu retorno a Belém, vamos nos encontrar, para tomar um drink poético.

Naldo Velho
     Uma apresentação em particular, prendeu minha atenção, por seu caráter questionador da nossa realidade e por “mexer” com o nosso comodismo. Trata-se do “URBANOSEMCAUSAa”, que pode ser lido “Urbano sem Causa”, mas me coloco ao lado dos que leem “Urbanos em Causa”.
     Nessaa obra de Mozart Carvalho e Sérgio Gerônimo, o dia a dia do homem e da mulher, nos centros urbanos, é questionado. Nas palavras de Naldo Velho, prefaciador do livro, o leitor encontra, em URBANOSEMCAUSA, “momentos de extrema crueldade, miscigenados e contrastados a um lirismo implícito envolto numa certa nostalgia de quem pede socorro e anseia por mais ar para respirar, por mais harmonia para viver, por mais suavidade para poder semear e colher no tempo certo uma realidade melhor, com condições mais dignas para aqueles que hoje vivem anestesiados pela velocidade inconsequente dos nossos tempos”. Para Naldo, escritor, músico e artista plástico, muito mais do que qualquer modismo ou regra estabelecida pelo bom comportamento literário, deve-se esperar de um livro de poemas, a coragem de se entregar aos desafios estéticos, pois o poeta nada mais é do que um artesão das palavras e, nos dias de hoje, mais do que nunca, necessita do mergulho sem preconceitos, em conteúdos que sejam inovadores. É a busca quase que obsessiva por novas abordagens e, principalmente, da honestidade de quem não se aprisiona a tribos de pensamentos ideológicos, religiosos, ou mesmo filosóficos, pois só assim, ele, Naldo, entende a arte: "um mergulho na imensidão em busca de sementes que possam frutificar em nós, palavras ‘fazendeiras’ de crescimento e compreensão”. Opinião que assino embaixo.

        E é o que fazem, em URBANOSEMCAUSA, Mozart Carvalho e Sérgio Gerônimo. Sem falsos pudores, explodem conceitos, mazelas, hipocrisias e incoerências. Tudo isso como se nos dissessem da necessidade de "se parar com tolas discussões aprisionadas a ideologias falidas ou a conservadorismos mofados, posto que, já provaram não ser solução para coisa alguma, e que já é hora de começarmos a discutir o caos de cada dia, com o coração desarmado e sem idéias preconcebidas", observa Naldo.

        
                Mozart Carvalho, poeta carioca, ensaísta, ilustrador, tradutor, atual vice-presidente da Associação Profissional dos Poetas do Estado do Rio de Janeiro – APPERJ, membro do PEN Club do Brasil, da União Brasileira dos Escritores- UBE/RJ e da ACLAL (Portugal), membro do Conselho Editorial da Oficina Editores, é professor de Língua Portuguesa, Produção Textual/Literatura/Inglês/Literaturas Americana e Inglesa,  especialista em Língua Latina, membro do Grupo de Estudos de Línguas Clássicase Orientais (LECO), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro- UERJ. Publicou dois livros infantis, “O Cervo e o Lago” e “A Raposa e a Cegonha”, que foi roteirizado para teatro. 
                



   Sérgio Gerônimo, psicólogo pós-graduado em Psicossomática Contemporânea, poeta carioca, cronista e ensaísta, editor-chefe da Oficina Editores, é fundador e atual presidente da APPERJ, membro do PEN Clube do Brasil, da UBE/RJ, da Academia Brasileira de Poesia, do SEERJ e da ACLAL. Publicou em poesia, “Profanas &  Afins”, “Outras Profanas”, “PANínsula”, “BelaBun”, “Código de Barras”, “Conversa Proibida”, “Coxas de Cetim” e “Enfim Afins”, os dois últimos em e-book.  Tem poemas publicados e vertidos em inglês, espanhol, francês, italiano e russo. Coordena o evento poético no Rio de Janeiro, “Te encontro na APPERJ” e o Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro. Participante ativo do circuito de poesia contemporânea.


     Lógico que comprei um exemplar do "URBANOSEMCAUSA" e, na rápida conversa que tivemos, após o evento, falei a Mozart e Sérgio sobre o "100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças", evento da Amazônia, que juntamente com Benny Franklin, Daniel Leite, Jorge Andrade, Juraci Siqueira e Roberto Carvalho de Faro, realizamos em Belém e o faremos novamente, este ano, no dia 28 de setembro. Convidei-os, como tenho convidado outros poetas a irem conhecer a Amazônia e disse da satisfação de recebê-los em Belém. De repente, fruto também dessas conversas, eles realizam o "100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças", evento do Rio de Janeiro. [mais informações sobre o "100 Mil Poetas & Músicos Por Mudanças", em postagens anteriores, neste Blog] 


           Transcrevo a seguir, um poemas que bem exemplifica o conteúdo do URBANOSEMCAUSA:

CORRE!

O carro passa - ônibus lotado
as vias liquefazem os asfaltos
um rio na lombardi segue
fluxo urbano
os andaimes nas esquinas
remodelam a paisagem
viadutos, túneis, pontes
constantes sons de poeira
violentam os poros
o mar de óleo desce as encostas
as florestas olham, pasmam,
perfuram as águas e sofrem
das pedras o trilho
do aço as plataformas
concretas, desumanas
o metrô corre, o carro corre
o metrô corre, a fome corre
o metrô corre, a solidão corre...
o metrô corre e o BRT para...
a ambulância geme enrubece
tudo fora do ponto
desatentas e confusas
as criaturas escapam no tempo,
nas ruas, nas avenidas envelhecidas
no cruzamento temporário
apenas um grito
Só - CORRO!
e ninguém escuta.

                 



 Com Maria do Carmo Bonfim, Mozart, Sérgio e Flávia Côrtes.

  


                 

sábado, fevereiro 16

Bem Vinda a Coleção Livro Lamparina. Mais Daniel Leite para crianças.




Daniel da Rocha Leite


Para quem “Escrever para criança é sonhar junto com ela um primeiro sonho” e literatura de criança é sonho e não cartilha, porque “mais tarde este sonho, se bem sonhado, ajuda a afirmar outros sonhos”, conversar à luz de uma lamparina, com um menino marajoara, que disse gostar de ler e que vive intensamente as histórias que lê, foi o necessário para trazer à luz, livros que contam histórias de rios, gentes e esperanças. O que se deu com o escritor e poeta paraense, Daniel da Rocha Leite, numa noite de “apagão”, em Soure, no Marajó.

Os nativos acenderam suas lamparinas e Daniel ficou acordado, “vendo o rio passar à minha frente, ele, o rio e as suas costas prateadas”. A experiência foi tão intensa, que o escritor trouxe um daqueles rudimentares instrumentos de iluminação, pra guardar para sempre as imagens daquela noite. E a conversa com o caboclinho despertou ideias para a Coleção Livro Lamparina.  “Seja diante das chamas tremeluzentes do fogo da luz de uma lamparina, numa casa de rio, ou sob a luz branca de um apartamento, desde o início, até o para sempre, viver é contar histórias”, diz Daniel.


No primeiro volume da Coleção Livro Lamparina, A História das Crianças que Plantaram Um Rio, Daniel desenvolve seu lirismo “quase sacro”, identificado pela autora de ensaios sobre teoria literária, Lilia Silvestre Chaves, no prefácio do livro “Peso Vero”, também de autoria de Daniel Leite, em parceria com o poeta Paulo Vieira.

Prosa e poesia misturam-se e completam-se no texto de Daniel, com profundo sentimento, sem cair no sentimentalismo piegas. A História das Crianças que Plantaram Um Rio é uma leitura acessível e apaixonante, que provoca encantamento do início ao fim. É uma história de Vida, numa época em que a morte da natureza é recorrente nos noticiários. Nela o autor sublinha o que mãos de criança, de qualquer idade, podem fazer em prol da humanidade.

Com a Coleção Livro Lamparina, que tem ilustrações de Maciste Costa, Daniel realiza o sonho de dedicar-se mais à literatura infantil. Com o livro infanto-juvenil “Procura-se um Inventor”, desenvolvido a partir da pergunta de uma criança, “quem inventou as palavras?”, Daniel recebeu o prêmio “Rafael Costa”, da Academia Paraense de Letras. E com sua extensa obra em poesia, contos, crônicas e romances, o autor recebeu diversos prêmios, a exemplo do “Girândolas”, ganhador do Prêmio Samuel Wallace Mac-Dowell, da APL, em 2008.

O primeiro livro lamparina será lançado no dia 04 de outubro deste ano, a sete dias do Dia das Crianças e uma semana antes do encontro do povo paraense com sua padroeira, Nossa Senhora de Nazaré, diz o autor. O local ainda não está definido, mas tanto o Banco da Amazônia, quanto a Secretaria de Cultura do Estado do Pará, já sondaram Daniel, quanto ao futuro lançamento.  

No que depender de Daniel, o livro será lançado também, em Soure. Afinal, diz ele, foi lá que tudo começou. O que é certo, é que haverá doações para escolas públicas, concretizando o sonho do autor, de “dividir o Pão da Palavra”. 

A Coleção Livro Lamparina foi um dos projetos culturais selecionados pelo Edital de Patrocínios, do Banco da Amazônia, de 2012, para projetos a se realizarem em 2013. Entre os mais de quatrocentos apresentados, foram selecionados por aquele Edital, 41 projetos de natureza cultural, 24 de cunho social, 17 da área ambiental, 55 voltados para exposições e 5 de caráter esportivo. Todos de pessoas e entidades dos diversos Estados da Amazônia Legal.

O Edital de Patrocínio é uma modalidade de seleção pública, disciplinada pela Instrução Normativa nº 01/09 da Secretaria de Comunicação Social – SECOM, da Presidência da Repúbica, que conceitua o patrocínio como “apoio financeiro concedido a projetos de iniciativas de terceiros, com o objetivo de divulgar atuação, fortalecer conceito, agregar valor à marca, incrementar vendas, gerar reconhecimento ou ampliar relacionamento do patrocinador com seus públicos de interesse”. Nos editais de patrocínio, do Banco da Amazônia, evidencia-se o prestígio a projetos que valorizem o que é legitimamente amazônico e favoreçam a cidadania das comunidades carentes.

terça-feira, fevereiro 5

Somos gado humano? A tragédia da Boate Kiss




                O roteiro anunciado do incêndio da boate Kiss, de Santa Maria/RS e do tratamento de suas consequências segue o curso ordinário da apuração de todo episódio catastrófico, em nosso país.
No primeiro momento, as trágicas imagens, o espanto, a tristeza e a indignação generalizada. Depois, a revelação das causas da tragédia- a  ideologia do lucro, com empresários que não cumprem  as normas de segurança e tratam seus clientes como gado humano. É escancarada a falta de condições das instituições fiscalizadoras (entenda-se, o investimento governamental reduzido nessas entidades) e o jogo de empurra-empurra da responsabilidade, entre os órgãos competentes.
                As fiscalizações, que deveriam ser sistemáticas e permanentes, são feitas no “calor da hora” e sob pressão da opinião pública. De forma pontual, portanto. Os casos de corrupção, submersos pela própria natureza, vem à baila. Veja-se o caso do oficial do corpo de bombeiros de Belém que vendia laudos falsificados de “Habite-se”, colocando em risco a vida de seres humanos.
                As autoridades prometem a instauração de “rigoroso inquérito, com punição exemplar dos responsáveis”. Lembram as palavras do então governador do Pará, diante das câmeras de televisão, há mais de 20 anos, por ocasião do desabamento do edifício Raimundo Farias? Pois é. Punido foi quem morreu.  E há dois anos, outro prédio desabou em Belém. E os donos do Bateau Mouche, o navio que levou dezenas de pessoas pro fundo da baía de Gaunabara, num reveillon, no início da década de noventa? Todos muito bem, obrigado.
                Pela “regra do jogo”, o roteiro para nesse ponto, o das promessas. A burocracia emperrada das instituições e a processualística judiciária brasileira, rica em recursos e mais recursos, se encarregam de jogar para as “calendas gregas”, uma decisão que, nos países que respeitam a cidadania, ocorrem no curto prazo.
E nós, como gado humano, silenciamos, esquecemos. Afinal, somos o “país do futebol” e do carnaval, que por sinal, está às portas. Esses necessários momentos de lazer para o ser humano, são manipulados como panem et circenses, para alimentar o status quo, a situação vigente. Afinal, é cômodo e gasta menos neurônios, discutir-se se o juiz roubou, se o atacante estava impedido, se a bola entrou ou não entrou em baixo da trave, se a Escola campeã realmente foi a melhor, e coisas do gênero. Os manipuladores sabem disso e, com esses instrumentos, alimentam o “esquecimento” das massas. E nós aceitamos passivamente o “jogo”.  Até quando vamos permitir que o roteiro pare no estágio das promessas? Que a tristeza e a indignação vazias de ação sejam dominantes, diante das tragédias provocadas pelo homem?
A tragédia da boate Kiss ceifou a vida de mais de duas centenas de jovens, universitários em sua grande maioria. Futuros profissionais de que o país tanto precisa. E condenou à morte muitos dos que não morreram no incêndio, mas tiveram sua saúde comprometida para o resto da vida. Ou sobrevida?
A atitude cidadã de homens e mulheres conscientes é a de estarmos atentos ao desempenho das instituições públicas, não só na apuração de tragédias como essa, mas sempre. Exercer o direito de denúncia, essa palavra que assumiu uma conotação pejorativa na cultura do medo, mas que é sim, um direito do cidadão, inscrito inclusive, na Constituição. Todos devemos ser fiscais, inclusive das instituições pagas pelo cidadão, enquanto contribuinte, para serem fiscalizadoras. “Botar a boca no trombone” é necessário. Inclusive pelas redes sociais, que tem sido e continuarão sendo os instrumentos de mudança, em escala mundial, na realidade atual e na futura. Sendo válido inclusive o boicote dos empreendimentos que, em nome do lucro, nos tratam como gado humano.
Só sendo cidadãos ativos, saindo do comodismo, podemos sonhar com a realização da última etapa do roteiro de apuração das tragédias: a punição dos responsáveis. E assim, participar da  construção de um mundo melhor e mais justo.
Octavio Pessoa – jornalista e advogado.
               
               
                 


sábado, fevereiro 2

“O GUINDASTE AMARELO”. Novo romance de Roberto Carvalho de Faro.


Roberto e eu com o meu exemplar do Guindaste Amarelo



            Um encontro casual de dois amigos que há anos não se viam, na Estação das Docas, desencadeia o mais novo romance de Roberto Carvalho de Faro, “O Guindaste Amarelo”. Foram seis horas de reminiscências que os velhos companheiros navegaram.

            Daniel da Rocha Leite optou por chamar de Preamar a abertura d“O Guindaste Amarelo”. Confessa que, “ao terminar de ler as líquidas páginas e marés deste livro, os seus lugares de gentes, vidas, máquinas e sonhos, naufrágios iminentes, águas idas e vindas, olhos e correntezas, eternos retornos, buscas de um sentido para as nossas vidas, fiquei  com a submarina sensação de que nós - assim como o personagem Jonas Trindade - somos todos rios. Rios desse mar insondável de existir, águas do cotidiano das nossas lutas, vazantes, lançantes, perau dos destinos que escrevemos em nossas histórias”.

        Alerta Daniel que “O Guindaste Amarelo” não é um livro comum, é um livro feito de guindastes e sonhos, beira de rios e gentes, águas grandes e estios, percalços e chão, esperanças e perseveranças, trabalhos de terra e infinitas fainas a cumprir: o sempre sonhar, ir buscar, atravessar rios e cidades, lutar por viver e amar. Não sendo, então, um livro comum, mas, sim, um livro de rios, gentes e suas máquinas de se (co)mover, no início de suas primeiras marés, partiremos daqui, da Preamar, deste belo romance de Roberto Carvalho de Faro”.

            O autor, na contracapa, diz que já pensava em aposentar o teclado (a caneta, antigamente), para textos ficcionais, acreditando que o já escrito “ainda que não relevante” seria o suficiente, para deixar registrado. Modesto esse Roberto Carvalho, que incluiu em seu nome, o da sua cidade de origem, Faro,no Oeste do Pará.

       Prossegue ele, afirmando que uma particularidade da vida de seu interlocutor – as experiências na exploração do comércio de frete na calha do rio Amazonas, com empurrador e uma balsa – o fez “parir” o livro que retrata as vivências do protagonista nas águas do caudaloso Amazonas. “Quanta aventura!” conclui Roberto.  
       
           A empresa SC Transportes e Construções, de Manaus/AM, que atua inclusive, no ramo de transporte fluvial, apoiou Roberto na edição do livro.

           Quem se orgulha de carregar no peito a força das águas do Rio Mar, vai se deliciar, lendo a obra desse caboclo que, com suas amazônicas obras, tornou-se imortal da Academia Paraense de Letras.

           No sábado passado, estive com Roberto, na sua “Cabana do Bosque”, da Rua João Canuto, 510, em Ananindeua. Foram horas e horas a absorver conhecimentos e vivências. O que nada  neste mundo paga. No final, trouxe meu exemplar autografado e outros exemplares para presentear os amigos. A obra pode ser solicitada diretamente ao autor, pelo telefone 32553612 e também na Academia Paraense de Letras. Rua João Diogo, 235 (em frente aos Bombeiros).

Sob a cuieira que Roberto trouxe de Faro, sua cidade natal